Brasília –
Dois meses após a tragédia na Boate Kiss, um ato mobilizou nesta quarta
(27) boa parte da população de Santa Maria (RS). Às 18h, os 241 jovens
que morreram por causa do incêndio serão homenageados com sons de
buzinas e salva de palmas pelas ruas da cidade. No mesmo horário, os
sinos das igrejas soarão.
De acordo com
o presidente da Associação de Familiares de Vítimas do Incêndio na
Boate Kiss, Adherbal Alves Ferreira, um ato semelhante vai acontecer em
Buenos Aires, na Argentina, e reunir mães que viveram um drama parecido
há oito anos, ao perderem seus filhos durante um incêndio na boate
Republica Cromagnón. Na ocasião, 194 pessoas morreram e centenas ficaram
feridas. Em fevereiro, algumas dessas mães estiveram em Santa Maria
prestando solidariedade aos parentes dos jovens mortos na Kiss.
“Vivemos a
mesma dor da perda de um filho e vamos nos unir neste momento de
comoção. Nunca vamos esquecer essa data e nossa intenção, com o buzinaço
e as palmas, é prestar homenagem a nossos filhos – heróis mortos na
tragédia; a nós, pais – que também somos heróis e enfrentamos essa dor
incurável; e aos sobreviventes”, disse, ressaltando que o grupo pretende
repetir o ato no dia 27 de todos os meses.
“Queremos que essa triste história nunca seja esquecida para que ninguém mais tenha que sofrer dessa forma”, enfatizou.
Ferreira
destacou que a associação estuda a criação de um órgão que reúna
representantes da prefeitura de Santa Maria, do Corpo de Bombeiros,
engenheiros e empresas de seguro para fiscalizar os estabelecimentos da
cidade e verificar o cumprimento das normas de segurança.
“Ainda
estamos estudando essa ideia, mas achamos que seria importante ter um
órgão nesses moldes para chancelar o funcionamento seguro desses locais.
Dessa forma, teríamos legitimidade para cobrar o cumprimento de normas
fundamentais e evitar mortes”, explicou.
Ele reafirmou
que o grupo de pais ficou satisfeito com o resultado do inquérito da
Polícia Civil, concluído na semana passada. Foram indiciadas
criminalmente 16 pessoas, entre elas integrantes da banda Gurizada
Fandangueira, os donos da boate e autoridades que seriam responsáveis
pela fiscalização da casa noturna.
O prefeito
Cezar Schirmer e o comandante do 4º Comando Regional de Bombeiros,
sediado em Santa Maria, tenente-coronel Moisés Fuchs, foram indiciados
por homicídio culposo, por omissão em fiscalizar a boate e impedir que
ela funcionasse em situação de risco aos frequentadores.
Cabe agora ao
Ministério Público apresentar denúncia à Justiça, que vai decidir se
inicia processo contra os apontados como responsáveis pela tragédia, na
conclusão do inquérito policial.
De acordo com
o documento, o incêndio na Boate Kiss começou após uma fagulha de
artefato pirotécnico tocar a espuma de isolamento acústico da casa
noturna. O artefato, aceso por um dos integrantes da banda Gurizada
Fandangueira, era inadequado para ambientes internos e a espuma também
não era de material apropriado para o isolamento da boate.
Segundo os
delegados que produziram o inquérito, quando os jovens perceberam o fogo
e tentaram fugir, encontraram diversos obstáculos no caminho até a
única porta de saída da boate. A maioria morreu asfixiada e envenenada
pela fumaça tóxica produzida pela espuma.
Repórter da Agência Brasil
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